sábado, 28 de julho de 2007

CONVERSANDO COM VOCÊ: SOBRE AUTONOMIA

Pedindo licença a você, meu amigo leitor, abro uma janela na divulgação jornalística e vou falar um pouco sobre o tema autonomia. Vou falar de um exemplo que vivo, e que vale a pena dividir com todos vocês.

Já faz quase 15 dias que nossa filhota está no Rio Grande do Sul, passando as merecidas férias na casa de seus familiares. E olha que a jornada da baixinha tá sendo intensa. Além do friozão que tá fazendo na terrinha - e olha que já é o quarto inverno que eu tô fora de lá - bravamente nossa filhinha está enfrentando as baixas temperaturas com muita alegria de viver e sorrir. E isso é o bom que nossos filhos nos passam: a alegria de viver.

Porque criança tem isso sim. Elas superam as dores melhores do que nós. Até porque elas vêem o mundo com a inocência do azul, com estradas de chocolate, um sol amarelinho como quindim, nuvens de algodão doce, árvores com caule de merengue e folhas verdinhas de alface com açúcar por cima. E é assim que vêem a vida e a existência.

Muito surpreso e contente fico em ver que ela está aproveitando muito o seu passeio, as suas férias de inverno. Antes de embarcar, com sua avó, dissemos a ela duas coisas: brinque muito e respeite os mais velhos. Porque é bonito respeitarmos o outro. Que bom, graças a Deus acompanho os seus passinhos e vejo que ela está não apenas cumprindo o que falei, mas fico satisfeito em ver que ela está vivendo na plenitude a dica que dei. E é isso que temos que despertar nos nossos filhos. Despertar neles que até mesmo o que poderia ser uma ordem pode ser algo suave, doce como a própria inocência cândida de uma criança.

Muitas vezes nós pais não sabemos como fazer isso. Porque nos preocupamos com a manutenção de nossa autoridade. E com isso não usamos a nossa autoridade de forma positiva, mas sim reproduzimos conceitos ultrapassados. Mandar e orientar nossos filhos é necessário, mas podemos usar de doçura para mandar. Para exigir, com carinho e com dedicação. Porque nós temos, como pais adotivos, a missão de conduzir, orientar e levar nossos filhos a encarar de frente a longa estrada da vida, com curvas, pontes, pontilhões e barreiras. É uma estrada bonita, com desafios e percalços, mas que nos oferta paisagens estonteantes.

Autonomia realmente é, e concordo com o que escreveu a Rosely Sayão, a oportunidade de desenvolver em nossos pequenos o senso de zelo, cuidado e proteção com sua própria vida. Explicar, dizer, orientar só faz com que nossos filhos acabem crescendo em um lar confiável, um lar sadio, um lar onde o amor inspira e desenvolve a confiança em nossos filhos. Filhos que recebem confiança de seus pais, crescem seguros, sadios e fortalecidos. Prontos para enfrentar as mazelas, riscos e derrapagens que podem rolar na estrada.

Por isso defendo a validade em trabalhar com os pequenos a confiança e a autonomia. Assim como eu acho bastante válido e confiável também construir um modelo próprio de autoridade, para assim trabalhar bem a autonomia e a confiança em nossos filhos. Isso passa por revisarmos sempre as nossas ações, o que pensamos e o que fazemos, sempre, diariamente.

Tá dado o recado.

EDUCAR COM ESPERANÇA

Fonte: Blog da Rosely Sayão

"Mãe, posso ir até a casa do Paulinho? Ele me chamou para jogar bola até a hora do jantar", pediu o garoto de quase dez anos. O amigo morava em frente à sua casa, e a mãe autorizou por telefone, não sem antes dar ao filho as orientações que julgou necessárias. Essa mãe agiu de modo sensato e responsável nas duas atitudes que tomou.

Ao permitir que o filho saísse de casa sozinho, mesmo para um curto trajeto nessa idade, ela o incentivava a se apropriar do espaço público e a construir autonomia para ir e vir dos lugares. Ao passar as orientações, ela realizou a tutela necessária, já que criança e adolescente ainda não costumam planejar suas ações nem tomar determinados cuidados, a não ser quando alertados. A mãe ajudou o filho, portanto, a aprender a se cuidar e a administrar a autonomia que ela o estava ajudando a construir para ver como ele responderia. Essa é a atitude mais educativa: passar responsabilidades e aguardar para ver como a criança reage.

"Não atravesse a rua fora da faixa de pedestre, não corra, não se desvie do caminho e não volte para casa depois do horário", foram as instruções da mãe antes que ele desligasse o telefone e saísse de casa -provavelmente correndo.

Ao determinar o modo como o filho deveria agir, a mãe foi cuidadosa porque forneceu ao garoto pontos de referência. Com as ordens, ela mostrou que ele deveria prestar atenção para realizar o trajeto com segurança; ao dar um limite para seu retorno, ela o responsabilizou por gerir seu tempo. Isso é educar para a construção de autonomia: ensinar o filho a se autogovernar, tutelando o necessário enquanto ele precisa.

O problema foi a forma como ela passou as orientações: partiu sempre do negativo. Esse é um cacoete comum em educação: pais e professores têm o mau costume de quase sempre considerar primeiro os erros que os mais novos podem cometer. Por que temos sempre de começar pelos problemas, pelos limites, pelos equívocos e pela ameaça de punição quando educamos? Podemos começar pela crença de que a criança procure acertar e descubra o espaço que tem para experimentar e encontrar soluções. A atitude otimista, aliás, é a única possível para quem educa.

Essa mãe poderia ter dito a mesma coisa pelo positivo: "Atravesse a rua na faixa, vá andando sempre rumo à casa do Paulinho e volte no horário combinado". Qual a diferença entre as duas formas?

A forma usada pela mãe sinaliza o que ela imaginou que o filho pudesse fazer, não é? Quando se diz a uma criança "não faça" é porque se credita a ela a vontade de fazer. Se não considero tal hipótese, qual o motivo para apontar o negativo? Acontece que nem sempre a criança apresenta a vontade que se imagina, mas, a partir do momento em que alguém aponta que ela possa ter, há grandes chances de ela realmente ter. Por isso é que o proibido é tão tentador.

Uma leitora contou que a filha, de quase dois anos, estava descobrindo a casa até que chegou à estante do pai, para quem os livros são muito importantes. Como as prateleiras chegavam até o chão, logo a menina quis pegar os livros. A mãe ajudou, explicou como manusear e finalizou dizendo: Só não pode rasgar. Pronto: logo depois, lá estava ela rasgando livros. Talvez a mãe não precisasse dar a deixa: poderia apenas ter ensinado os cuidados e, caso a filha rasgasse algum por acaso, aí sim poderia dizer que isso era algo a ser evitado.

Que tal passarmos a assinalar mais as possibilidades do que os limites quando educamos? Tal atitude demonstraria mais esperança em relação aos mais novos e talvez isso seja algo precioso para que eles percebam sua potência.

CASTIGO E IMPUNIDADE

Fonte: Blog da Rosely Sayão

Que consideramos a impunidade um grande mal é fato; que creditamos a ela uma boa parte dos problemas de violência, também. Pensando nisso, como os pais ensinam aos filhos que seus atos produzem conseqüências?

Uma educadora me contou um fato interessante: um aluno cometeu uma transgressão e recebeu uma penalidade. No dia seguinte, o pai foi solicitar uma conversa com a orientadora. Quando isso ocorre, os educadores sabem o que esperar porque muitos pais não aceitam que o filho arque com as conseqüências de seus atos no espaço escolar ou não concordam com a sanção, que costumam achar severa demais.

Pois, para o espanto dessa educadora, o que o pai queria era manifestar apoio à atitude da escola para que o filho tivesse a oportunidade de aprender que os atos têm conseqüências. Vale dizer que o pai estava bastante sensibilizado com o tema por causa das notícias sobre comportamentos violentos praticados por jovens. Este é, portanto, um bom momento para refletir sobre o castigo.

De largada, vamos pensar a respeito do castigo corporal, amplamente usado por pais de todas as classes sociais. Ele costuma parecer eficaz porque produz efeitos imediatos, ou seja, o filho deixa de fazer o que não deve ou faz o que deve rapidamente. Mas tal efeito é efêmero, como os próprios pais podem constatar. Além disso, o castigo físico tem mais a ver com o humor dos pais ou com seu descontrole do que com o comportamento do filho. De qualquer forma, um castigo corporal é uma violência física contra os mais novos e, portanto, não pode ser educativo.

As punições exageradas e as que são aplicadas e não honradas pelos pais também ocorrem com muita freqüência. Um garoto que não fez a lição de casa antes de a mãe voltar do trabalho não pode assistir a seu programa de TV favorito por três dias. Muita coisa, não? Uma adolescente que não cumpriu o horário de retorno de uma festa foi proibida de ir à próxima, mas tanto reclamou e fez cara feia que ganhou dos pais a permissão.

Afinal, o castigo deve ser usado na educação e funciona? A resposta é sim para as duas perguntas. O castigo consistente pode ser uma boa estratégia para fazer frente às transgressões cometidas pelos filhos e para responsabilizá-los pelo que fazem. Para isso, é preciso que os pais, antes de aplicar uma punição, tenham uma atitude educativa firme e coerente.

Castigo em criança pequena não faz muito sentido. A contenção -que já é uma sanção- usada para que o filho deixe de fazer algo que não deve e a tutela constante para que faça o que deve já são atitudes suficientes. Colocar a criança pequena para "pensar" não se sustenta, já que ela nem sequer tem autonomia para tanto. Os pais de filhos nessa idade devem ter muita paciência e disponibilidade: não podem ficar bravos sempre que eles não se comportam de acordo com as normas nem podem achar graça nisso.

Para os maiores de seis anos, o castigo é educativo desde que precedido de regras claras e justificadas. A repetição das orientações, independentemente de elas serem ou não seguidas, não revela autoridade. E é bom lembrar que o castigo aponta sempre o que não deve ser feito. Por isso, é insuficiente como estratégia educativa, já que queremos que os mais novos aprendam o que deve ser feito, o que é bom, o que é certo.

Tanto as atitudes educativas quanto a aplicação de castigos exigem que os pais usem bem a autoridade e as palavras dirigidas aos filhos, conversem praticando o olho-no-olho, escutem os filhos de maneira interessada e sejam coerentes.

ORAÇÃO PARA NOSSOS FILHOS DO CORAÇÃO

Resolvi presentear a todos os pais, que assim como eu, buscam em Deus a força e a fé para criar os seus filhos. Vamos orar, vamos agradecer por nossos pequenos.....

SENHOR,

Obrigado pela missão que me conferiste
Obrigado pela vida que gerou
Foi outro ventre, mas foi algo sagrado
Teve dor, teve sofrimento
Mas hoje tem luz

Obrigado Senhor por meu filho
Obrigado Senhor por seu olhar, por seu sorriso, por seu choro
Obrigado Senhor pelas lutas, pelos momentos de dificuldade
É para nossos filhos que será também o Reino dos Céus
Obrigado meu Pai, por ser Pai
Por ser Mãe
Por ser amigo, confidente
Obrigado Senhor pela confiança que me depositaste
Pela fé que me ensina a ter todos os dias
Por acreditar que nossa história é além desta terra, deste mundo
Nosso laço é eterno, é para sempre

Obrigado Senhor pelo mistério da vida
Pela sabedoria do nascer, do morrer
Senhor, o que me destes é sagrado
Me presenteou com a vida
Me brindou com uma nova história
Me fizestes pai para conduzir uma vida
Me fizestes um ser completo para construir um novo cidadão

Abençoe a todos nós
Dê a outros órfãos a chance de dizer PAI E MÃE
Dê perdão e conforto a quem não criou
Dê força e fé a quem se separou do laço biológico, a irmãos que se afastaram, a quem ficou em abrigos, a quem morreu, a quem renasceu no espírito. Ao Espírito Santo que abençoa e protege a todos e a todas.

Senhor, que seja digna toda a nossa trajetória
Que seja bênção o nosso futuro
Que o amanhã deste país seja melhor
Porque Senhor, nos oportunizaste construir o melhor
Senhor, olhe por nossos filhos. Os guarde, os proteja, os ilumine

Amém.....

quinta-feira, 26 de julho de 2007

ENTREVISTA: HISTÓRIAS DE AMOR, ADOÇÃO E GRATIDÃO EM LIVRO


Uma história de amor incondicional que chegará às bancas. Ainda está sem prazo de lançamento, mas para o gestor em Vendas Paulo Roberto Flores Castello Branco de Freitas, 30 anos, carioca de nascimento e morador de Florianópolis, Santa Catarina, falar sobre adoção é falar também de gratidão, de vida. E não só a sua história será contada, mas sim também outros relatos de filhos adotivos. PAIS ADOTIVOS SA entrevistou Paulo Roberto Freitas e apresenta mais sobre uma história de vida, de fé e de orgulho. Orgulho em ter uma família, orgulho em ser brasileiro e orgulho em militar favorável à adoção e ao final feliz de inúmeras histórias que povoam abrigos pelo país afora:

Pais Adotivos SA: O que a palavra adoção significa para você?Paulo Roberto Freitas: Adoção deve significar amor incondicional.

Pais Adotivos SA: Como foi a tua história de adoção?Freitas: Fui adotado com dois meses de idade no Rio de Janeiro, no lar Fabiano de Cristo. Meus pais podiam ter filhos biológicos, mas optaram pela adoção. Desde que me conheço por gente já sabia que era filho por adoção e sempre encarei isso de forma, segura, natural e com muito orgulho. Como sou negro e meus pais brancos, muitas vezes tive que estufar o peito para justificar nossa diferença física que é evidente. Situação esta que nos leva a situações pitorescas em nossa sociedade preconceituosa, como por exemplo, quando me despeço de meu pai com um beijo no rosto. As pessoas em volta olham assustadas como se dissessem: Olha só o coroa pegando o negão mais novo ! Meus pais tiveram muita habilidade para abordar o tema desde criança, de forma que cresci de forma saudável, sem traumas e com muito orgulho, sempre me achando especial em relação aos demais.

Pais Adotivos SA: Você também tem outros irmãos adotivos.. como se deu a chegada deles em tua família, o que levou teus pais a também adotarem mais filhos? Eles te prepararam para esta chegada?

Freitas: Tenho mais dois irmãos adotivos. Minha irmã chegou quando eu tinha 3 anos e meus pais me prepararam bem, fazendo com que eu a desejasse antes mesmo edla chegar. Com meu irmão – dez anos mais novo – foi a mesma coisa, só que no caso dele eu pedi que o adotassem.

Pais Adotivos SA: Você conhece sua família biológica, mantém contato com eles?

Freitas: Não conheço minha “família” biológica e nunca tive uma curiosidade. Oro para que eles estejam bem e não sofram pela minha ausência, até porque a atitude deles me levou a ter a família maravilhosa que tenho hoje.

Pais Adotivos SA: Você aprendeu a os perdoar. O que a palavra perdão diz a ti?

Freitas: Não tive que perdoar ninguém. Mas o perdão é um ato de nobreza mesmo.

Pais Adotivos SA: A iniciativa de escrever um livro partiu do desejo de compartilhar a tua própria história ou foi de dar vazão e conhecimento de outras histórias?

Freitas: O livro é um apanhado de depoimentos dos filhos adotivos. Sempre que se fala em adoção, as pessoas recorrem sempre aos pais e “especialistas”no assuntos – os estudiodos. Não entendo o motivo pelo qual os filhos adotivos não aparecem nos livros, nas matérias publicadas...

Pais Adotivos SA: Você sente que o tema Adoção ainda é pouco abordado em nossa sociedade? Ainda é tratado de forma superficial, onde a adoção é vista como um ato de caridade?

Freitas: A adoção é abordada de forma superficial e vista como uma atitude de caridade. Inclusive muitos pais adotivos, ficam esperando uma espécie de reconhecimento por terem adotado e isso é errado. Qualquer problema que se dá com uma criança que foi adotada, logo apontam: coitadinho, ele faz isso porque foi a dotado, deve ser algum trauma. Esquecem que problemas educacionais, relativos até mesmo à fasse de crescimento, adolescência são inerentes a todos os jovens.

Pais Adotivos SA: Você tem filhos? Pretende ter filhos adotivos?

Freitas: Ter filhos é um sonho que ainda não realizei. Pretendo adotar.

Pais Adotivos SA: Adotaria um bebê ou uma criança maior? Tens preferência por sexo, cor...

Freitas: Adotaria , sem problemas. As pessoas acreditam que adotando um filho recém –nascido, estão adotando alguém “0 km”, sem passado. As maiores acabam ficando para trás. E aí fica a pergunta: quando namoramos alguém ou casamos, essas pessoas não tem um histórico de vida? E mesmo assim não acabamos nos apaixonando por ela? Acredito que seja mais ou menos por aí... Mas cabe ressaltar que não somos uma ciência exata, não há como rotular ou conceituar tudo.

Pais Adotivos SA: Você deseja que seu livro seja mais um instrumento de conscientização e formação em torno da adoção?

Freitas: O livro funcionará como um pouco de voz dos filhos por adoção, mostrando que não somos melhores, nem piores, apenas filhos. Mostrar a trajetória de pessoas adultas, que vivenciaram vários enredos, desde contos de fada até coisas absurdas.

Pais Adotivos SA: O que se deve promover para incentivar a discussão em torno do tema adoção, e, conseqüentemente, mobilizar mais casais (ou não) para adotar?

Freitas: Acho que devemos ter mais discussões e debates sobre o tema. Inclusive, o incentivo à adoção deve ser tratado com muito cuidado pois o foco e a proteção deve visar O FILHO e não os pais. Tem muito casal que procura o processo de adoção para estancar problemas de relacionamento.

Pais Adotivos SA: Você participa de algum Grupo de Apoio à Adoção? Como avalia este tipo de atividade?

Freitas: Participo do GEAAF (Grupo de Estudo e Apoio a Adoção de Florianópolis). Como o próprio nome sugere, promovemos discussões e orientações aos pais que desejam adotar, tendo o respaldo de profissionais capacitados e de famílias que vivenciam o assunto.

Pais Adotivos SA: Que mensagem gostaria de deixar a todos aqueles que forem se candidatar a adoção? Quando teu livro irá chegar as bancas?

Freitas: A mensagem que deixo é de que as pessoas que tiverem o anseio de adotar, façam isso de coração aberto, visando sempre a criança, sem a espera por recompensas ou reconhecimento. Acredito que a recompensa real é o amor sincero que terão de seus filhos.O livro ainda não tem uma data para ir às bancas, mas espero que em breve esteja à disposição da sociedade.

quarta-feira, 25 de julho de 2007

CECIF PROMOVE CURSO TRABALHO COM ADOLESCENTES EM CONFLITO COM A LEI

O CeCIF está com inscrições abertas para o curso O Trabalho com Adolescentes em Conflito com a Lei. O curso é voltado para atender a demanda de assistentes sociais, psicólogos de programas de medidas sócio-educativas para adolescentes em conflito com a lei, psicólogos de prefeituras, programas e projetos sociais, estudantes de Serviço Social e Psicologia e interessados no assunto. Os módulos a serem oferecidos são direcionados aos seguintes temas: o profissional perante os desafios do sistema, a criança e o adolescente, a construção dos papéis culturais, álcool e drogas na adolescência, legislação, medidas previstas no ECA, o papel da família na formação do adolescente, ferramentas de intervenção nesse contexto.

Os principais conteúdos irão tratar da Vulnerabilidade e resiliência do profissional; Processos de desenvolvimento do adolescente; relacionamentos; aspectos biopsicossociais. A construção das masculinidades; a influência do meio;ausência de autoridade paterna.O que leva uma pessoa do uso à dependência das drogas; A construção dos direitos da criança e do adolescentes no Brasil; legislação pertinente; SINASE. Medidas protetivas e medidas sócio-educativas; reincidência; Como trabalhar a família em conflito com a lei; fatores de risco e prevenção; fortalecimento dos vínculos familiares; construção da rede social.

As aulas serão ministradas aos sábados, nas seguintes datas: 25/8 - 15/9 - 6/10 - 1/12 - 2007, no horário das 8:30 às 17:30 horas. O valor da inscrição é de R$ 260,00 por aluno e inclui apostila e certificado. A ficha de inscrição e comprovante de depósito pelo e-mail cursos@cecif.org.br. Os telefones para contato são 0.xx. 11 5081. 5203 ou 5081.5284. O CeCIF fica na Rua Manoel de Paiva, 226, Vila Mariana, próximo ao Metro Ana Rosa, São Paulo/SP.

CRIANÇAS ADOTADAS POR CASAIS ALEMÃES VOLTAM ÀS SUAS ORIGENS NO MATO GROSSO

Fonte: Jornal A Notícia, Cuiabá, MT

Mara nasceu em Várzea Grande, em 10 de julho de 1993. Recém nascida, foi abandonada pela mãe, que não tinha condições financeiras para alimentá-la. Hoje, aos 14 anos, faz apresentações de piano, que toca desde os cinco. Fala inglês, francês e alemão. Inteligente e com um discurso bem articulado, diz que vai estudar biologia marinha, mas que sempre será cidadã do mundo. Mara e seu irmão Dário, 11 anos, também várzea-grandense e de origem muito pobre, mas filho de pais biológicos diferentes, vivem hoje na Alemanha. São um exemplo de adoção internacional bem sucedida. Estão no Brasil há três meses com a mãe adotiva Myrian Zóller para conhecer suas origens e aprender português. "Aqui não me sinto turista. Este é o meu país e esta terra, estas pessoas, fazem parte da minha história", comenta a adolescente , que ora fala em inglês, ora em alemão.

A história comum de Mara e Dário começou muito antes do seu nascimento, no início da década de 90, quando a professora universitária de origem sueca mas radicada na Alemanha, Myrian Zóller, decidiu adotar crianças brasileiras. Myrian tinha uma amiga que passava seis meses por ano em Cuiabá. Essa amiga a colocou em contato com uma advogada, que tratou das questões legais relativas à adoção. "Na ocasião das duas adoções Myrian passou quatro meses aqui em Cuiabá, respeitou todos os prazos do período de convivência com os recém-nascidos, obedeceu todos os procedimentos legais que uma adoção exige", observou a advogada Leila Francisca.

Depois da experiência bem sucedida em 1996, quando adotou Mara, Myrian e seu marido voltaram a Várzea Grande para adotar outra criança, quando seus destinos cruzaram com o pequeno Dário. "Eu queria que a Mara tivesse alguém em sua família para compartilhar sua experiência de vida. Alguém que a compreendesse melhor que todos nós, alguém que tivesse uma história e emoções semelhantes para dividir", explicou a mãe adotiva.

Mara e Dário cresceram sabendo que eram filhos adotivos e que sua origem era brasileira. Ainda crianças, ouviam da mãe adotiva que eles fariam uma longa viagem às suas origens assim que tivessem maturidade para compreender tamanha diferença cultural. Segundo Myrian, Mara e Dário aguardavam com muitas expectativas o reencontro com o Brasil. Na quarta-feira 22, eles visitaram um abrigo público (orfanato) para crianças em Cuiabá. Ao todo, Mara e Dário vão passar cinco meses no Brasil, entre Mato Grosso e Rio de Janeiro, onde estão freqüentando uma escola para crianças alemãs.

Ao contrário do irmão, Mara já consegue articular algumas frases em português. O largo sorriso, os gestos amplos e o jeito de morena brejeira denunciam se tratar de uma típica brasileira, apesar do sotaque alemão. "Eu quero muito falar português, mas é muito difícil", desculpa-se em português, ao lado de Dário, que pergunta à mãe do que sua irmã está falando.

Mara explica que na escola que freqüenta, na cidade de Karlsruhe, são raras as crianças adotadas. A excepcionalidade leva os colegas a questionar sobre seus pais biológicos, o que não causa nenhum desconforto à adolescente devido à postura de seus pais adotivos, que sempre falaram a verdade sobre a origem dos filhos. "Eu tive muita sorte, minha história é muito feliz. Minha história é especial e não tenho problemas em dividir isso com as pessoas", ressalta.

Adotar é legal

A alemã Myrian Zóller e seus dois filhos adotivos fizeram uma visita à Comissão Estadual Judiciária de Adoção (Ceja), organismo da Corregedoria Geral da Justiça/Tribunal de Justiça de Mato Grosso. A Ceja lançou em maio passado o programa Adotar é Legal, que prevê ações permanentes de incentivo à adoção por vias legais. O Adotar é Legal também engloba uma série de projetos inéditos em Mato Grosso, voltados para a adoção. Um deles, as Casas Lares, visa abrigar crianças e adolescentes disponíveis para adoção em estabelecimentos públicos com as mesmas características de uma moradia familiar. Este projeto já funciona de forma bem sucedida em estados do Sul e Sudeste do país. Consiste na construção de casas onde as "mães" sociais (casal) são servidores do Estado que cuidam dos adolescentes. Menores nesta faixa etária tem mais dificuldade de encontrar pais adotivos.

O Adotar é Legal também implantou o Pré-natal da Adoção, através do qual os pretendentes a pais adotivos recebem assistência jurídica, psicológica e social. Mato Grosso também aderiu ao Infoadote, que consiste em um cadastro nacional de crianças aptas à adoção, separado por cidades de origem. Outro projeto é o incentivo ao Apadrinhamento, que é voltado especialmente para crianças com deficiências mental ou física. Carentes de mais cuidados e atenção, estas crianças nem sempre são aceitas à adoção.

Existem em Mato Grosso 195 pais pretendentes à adoção e 24 crianças e adolescentes disponíveis para esse fim. Há ainda 1.198 processos de adoção em andamento e outras 2.056 crianças e adolescentes em processos de guarda (geralmente com familiares). Correm nas Varas da Infância e Juventude 847 processos de destituição de poder familiar e 235 pedidos de habilitação para a adoção (dados de maio/2007). A área da Infância e Juventude, ao lado do Sistema Prisional, foi eleita como prioridade da gestão 2007/2009 do Tribunal de Justiça de Mato Grosso e da Corregedoria Geral da Justiça.